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Nostalgia

Tênis Topper: A Marca que Vestiu a Seleção Brasileira nos Anos 80

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Par de tênis Topper vintage azul-marinho e cinza, com solado branco, sobre superfície escura

Se você assistiu Copa do Mundo nos anos 80, viu a Topper antes mesmo de saber o nome da marca — ela estava estampada no peito da Seleção Brasileira. Junto com a Rainha, foi uma das grandes marcas esportivas nacionais que definiram a estética do esporte brasileiro naquela década — e, coincidência ou não, as duas acabaram no mesmo lugar décadas depois.

Uma marca, dois países, quase ao mesmo tempo

A história da Topper começa com a Alpargatas, empresa fundada em 1885 na Argentina por Juan Echegaray e pelo escocês Robert Fraser. A companhia abriu sua filial brasileira em 1907, e as duas operações (argentina e brasileira) seguiram ligadas por décadas, até se separarem formalmente como empresas distintas em 1983.

Foi essa mesma Alpargatas que criou a marca Topper em 1975 — lançada quase simultaneamente na Argentina e no Brasil, cada país com seu próprio logotipo na época. No Brasil, a marca surgiu num momento de sucessivas glórias esportivas nacionais, especialmente no futebol, automobilismo e atletismo, e rapidamente ampliou sua atuação: começou com calçados, depois bolas de futebol, basquete e vôlei, e em 1979 lançou suas primeiras chuteiras.

O auge: a marca oficial da Seleção

Os anos 80 foram o período de maior prosperidade da Topper no Brasil. A marca patrocinou a transmissão das Olimpíadas de Moscou em 1980 e, no mesmo ano, se tornou a marca oficial da Seleção Brasileira de futebol — posto que manteve até 1991. Nesse período, a Topper esteve presente em três Copas do Mundo (Espanha 1982, México 1986 e Itália 1990) e vestiu craques como Sócrates, Zico, Falcão e Júnior, além de patrocinar diversos clubes — incluindo uma ligação forte com o Corinthians através do próprio Sócrates.

Esse conjunto de patrocínios — seleção, craques, clubes — deu à Topper reconhecimento e credibilidade que poucas marcas esportivas nacionais alcançaram naquela geração. Nos anos 90, a marca ampliou a atuação também no futsal, apoiando atletas de destaque na modalidade que crescia rapidamente no país.

A concorrência global e a perda de força

Assim como aconteceu com a Rainha, a chegada — e o investimento pesado — das grandes marcas esportivas internacionais foi corroendo o espaço da Topper ao longo dos anos 90 e 2000. A concorrência não veio só de fora: rivais brasileiras mais agressivas, como a Penalty, também disputaram espaço no mercado nacional. A Topper foi, aos poucos, se tornando uma marca de menor expressão diante desse cenário.

A reação começou a partir de 2005, com investimento em tecnologia e reposicionamento de produto — mas o momento de protagonismo absoluto dos anos 80 já tinha ficado pra trás.

Argentina e Brasil, finalmente sob o mesmo teto

Um capítulo pouco conhecido da história: apesar de nascida quase simultaneamente nos dois países, a Topper argentina e a brasileira operaram como negócios separados por décadas — inclusive com logotipos diferentes. Isso só mudou em 2008, quando a Alpargatas do Brasil comprou a operação argentina, unificando a marca sob um único logotipo global.

A Topper ainda existe?

Sim — e a resposta conecta direto com a história da Rainha. Em 2015, a Alpargatas vendeu tanto a Topper quanto a Rainha para o Grupo Sforza, formando a BR Sports, que controla as duas marcas até hoje. Depois dessa venda, a Topper seguiu presente no mercado, com destaque em conquistas mais recentes — como o título mundial do Corinthians nos anos 2000 e presenças ao lado do São Paulo FC em Libertadores e Mundial — mantendo viva a associação da marca com o futebol brasileiro que a consagrou nos anos 80.

Duas marcas, uma mesma trajetória

Rainha e Topper contam, no fundo, uma história parecida: nasceram sob o mesmo guarda-chuva da Alpargatas, viveram o auge nos anos 80 apostando pesado em patrocínio esportivo, perderam espaço pra concorrência global nos anos 90, e acabaram reunidas de novo — dessa vez sob o Grupo Sforza — décadas depois. Pra quem cresceu naquela época, as duas seguem sendo sinônimo de uma fase em que o tênis nacional também tinha vez nas quadras e nos campos.